Desde o início da minha faculdade, a Dermatologia sempre foi uma paixão. Cuidar e tratar da pele e saber o quanto isso impacta na vida dos pacientes é o que me move.
A Dermatologia é uma especialidade versátil, com vários nichos de atuação, seja na parte clínica, cirúrgica ou estética. Esse dinamismo da área foi um dos principais motivos para que eu a escolhesse.
Sou formada e também fiz minha residência médica no Centro Universitário do Estado do Pará e tenho um orgulho imenso de ter tido minha formação como médica e como dermatologista nesse lugar, que hoje é uma grande referência nacional em educação médica.
Calor e temperaturas elevadas agravam principalmente os quadros de dermatite atópica. Isso acontece porque o calor induz a liberação de mediadores do prurido, a coceira, criando um ciclo de coceira e arranhão que perpetua a inflamação e o dano à barreira cutânea.
Além disso, temperaturas elevadas aumentam a perda transepidérmica de água, comprometendo ainda mais a função de barreira, que já é disfuncional na dermatite atópica. Com isso, a pele se torna mais permeável, ressecada e suscetível a alérgenos.
Na psoríase, o calor pode contribuir para a piora em contextos de sudorese excessiva, oclusão e atrito em áreas de dobras, principalmente nos casos de psoríase invertida.
O primeiro sintoma é o prurido, ou coceira, que pode ser desencadeado ou aumentado pelo calor. Também podem ocorrer eritema, ou vermelhidão, mais intenso, ressecamento da pele e escoriações provocadas pelo prurido.
O suor, a umidade e o contato prolongado com roupas podem agravar essas condições.
O recomendado é usar roupas leves, preferencialmente de tecido de algodão, trocar de roupa e tomar banho logo após uma transpiração intensa, além de utilizar sabonetes syndet e manter uma hidratação intensiva do corpo.
Na dermatite atópica, o calor atua diretamente no aumento do prurido e na piora da disfunção da barreira cutânea.
Na psoríase, o efeito é mais heterogêneo. A radiação ultravioleta costuma ser benéfica, sendo inclusive utilizada como modalidade terapêutica, como o UVB de banda estreita ou PUVA.
No entanto, o calor combinado ao atrito e à oclusão pode piorar especialmente a psoríase invertida, variante que acomete áreas de dobras.
Recomendo banhos curtos, utilizando sabonetes neutros ou syndets, seguidos de hidratação intensiva de toda a pele.
Também é importante utilizar protetores solares com FPS mínimo de 50, preferencialmente protetores minerais, pois apresentam menor potencial alergênico. A proteção física também deve fazer parte dos cuidados, com o uso de chapéus e roupas com proteção UV.
Sinais de alarme como febre, secreção purulenta, disseminação rápida das lesões, ausência de resposta ao tratamento habitual em alguns dias e comprometimento importante da qualidade de vida indicam que a piora deixou de ser esperada e exige avaliação dermatológica.
Minha orientação para pessoas com dermatite atópica ou psoríase é manter uma hidratação intensiva da pele, usar roupas ventiladas nos meses de verão e se proteger adequadamente do sol com protetor solar e protetores físicos.
Dessa forma, os portadores de psoríase e dermatite atópica conseguem aproveitar os meses de verão evitando entrar em crises.