Câncer de Pele Não Melanoma: o tumor mais frequente do mundo ainda é negligenciado

No Dia Global do Câncer de Pele Não Melanoma, Dra. Heliana Góes orienta sobre prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

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Câncer de Pele Não Melanoma: o tumor mais frequente do mundo ainda é negligenciado
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Uma trajetória dedicada ao cuidado integral

Minha trajetória na medicina sempre foi movida pelo desejo de cuidar do ser humano de forma integral, e a Dermatologia me encantou justamente por sua versatilidade. A pele é o nosso maior órgão, a nossa interface com o mundo e o espelho da nossa saúde interna. Escolhi essa especialidade porque ela me permite atuar desde a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças graves, como o câncer de pele, até a recuperação da autoestima e do bem-estar dos pacientes através de procedimentos clínicos, cirúrgicos e estéticos.

A importância da conscientização

Essa data é fundamental porque o câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais frequente no Brasil e no mundo, mas, infelizmente, ainda é muito negligenciado. Por ter uma evolução geralmente mais lenta e menor taxa de metástase do que o melanoma, muitas pessoas subestimam os riscos. O Dia Global de Conscientização trás a importância desse tema, desmistifica a doença e lembra a população de que a prevenção e o diagnóstico precoce salvam vidas, evitam cirurgias mutilantes e garantem chances de cura.

Os tipos mais comuns de câncer de pele não melanoma

Os dois tipos mais comuns são:

• Carcinoma Basocelular (CBC): É o mais frequente de todos. Surge nas células basais e costuma aparecer em áreas muito expostas ao sol, como face e pescoço. Tem crescimento lento.

• Carcinoma Espinocelular (CEC): É o segundo mais comum. Desenvolve-se nas células escamosas e pode ser mais agressivo, inclusive acometendo mucosas e apresentando risco de metástase se não tratado.

Grupos de maior risco

Pessoas de pele, olhos e cabelos claros (fototipos I e II); indivíduos com histórico familiar da doença; quem tem exposição solar crônica e cumulativa ao longo da vida (como trabalhadores rurais, da construção civil ou esportistas); e pessoas imunossuprimidas.

As consequências do diagnóstico tardio

Na prática, o diagnóstico tardio transforma um tratamento que poderia ser simples em algo mais complexo e doloroso. Embora o não melanoma raramente leve ao óbito, ele pode ser localmente muito invasivo. O atraso na busca por ajuda significa a necessidade de cirurgias maiores, que podem resultar em cicatrizes extensas, deformidades estéticas e funcionais (especialmente em áreas nobres como nariz, pálpebras e orelhas) e um impacto profundo na saúde mental e na autoimagem do paciente.

Sinais de alerta para observar na pele

Os principais sinais de alerta são:

• Feridas que não cicatrizam.

• Nódulos ou "bolinhas" que parecem pérolas, às vezes com pequenos vasos sanguíneos visíveis na superfície.

• Manchas avermelhadas, ásperas ou que descamam continuamente e que podem sangrar facilmente ao coçar.

• Lesões que parecem verrugas, mas que crescem progressivamente.

Por que o Brasil tem uma das maiores incidências?

A alta incidência no Brasil é explicada por fatores geográficos e culturais. Somos um país tropical, com alta radiação solar durante o ano inteiro, e temos uma cultura forte de exposição ao sol e valorização do bronzeado.

Para avançar, precisamos de educação e acesso. Falta criar o hábito da fotoproteção desde a infância nas escolas e garantir maior distribuição e desoneração tributária dos protetores solares, que ainda são vistos por muitos como itens de cosmética e não de saúde pública. Além disso, precisamos facilitar o acesso da população periférica e rural a consultas com dermatologistas no SUS.

O que realmente funciona na proteção solar

Devemos realizar a combinação da fotoproteção com filtros solares e barreiras físicas, como uso de roupas e chapéus.

Os erros mais frequentes são:

• Quantidade insuficiente: Aplicar menos protetor do que o necessário.

• Esquecer da reaplicação: Passar o filtro de manhã e achar que está protegido o dia todo. Ele deve ser reaplicado a cada 2 ou 3 horas, ou após suar e nadar.

• Negligenciar áreas esquecidas: Orelhas, nuca, dorso das mãos, pés e lábios são frequentemente esquecidos e são locais comuns de tumores.

• Confiar no mormaço: Achar que dias nublados não queimam. A radiação UV atravessa as nuvens.

Uma mensagem para a população

O cuidado com a pele não é vaidade, é preservação da vida. Conheça o seu próprio corpo, faça o autoexame da pele regularmente e, ao menor sinal de uma mancha ou ferida nova que não cicatriza, procure um dermatologista. Prevenção e diagnóstico precoce levam ao caminho mais seguro para a cura.

Dra. Heliana Goés

 


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