Cirurgia no câncer colorretal: quando é indicada e quais técnicas podem ser utilizadas

Dra. Raissa Vanetta explica quando a cirurgia é indicada, os principais procedimentos e as diferenças entre as técnicas aberta, laparoscópica e robótica

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Cirurgia no câncer colorretal: quando é indicada e quais técnicas podem ser utilizadas
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O câncer colorretal, que inclui os tumores do cólon e do reto, está entre os tipos de câncer mais frequentes e pode apresentar boas possibilidades de tratamento quando identificado precocemente. Em muitos casos, considero a cirurgia uma das principais etapas do tratamento, podendo ter objetivo curativo ou fazer parte de uma estratégia combinada com quimioterapia, radioterapia e outras terapias.

Mas quando a cirurgia é realmente indicada? Quais procedimentos podem ser realizados e quais técnicas estão disponíveis?

A escolha depende de fatores como localização e tamanho do tumor, estágio da doença, presença ou não de metástases e condições clínicas de cada paciente.

Quando a cirurgia é indicada?

Frequentemente indicamos a cirurgia para pacientes com câncer colorretal localizado, especialmente quando o tumor pode ser completamente removido. Nosso objetivo é retirar a lesão com margens de segurança e os linfonodos da região, permitindo também uma avaliação adequada da extensão da doença.

Em algumas situações, entretanto, iniciamos o tratamento antes da cirurgia. Nos tumores do reto, por exemplo, podemos recomendar quimiorradioterapia ou terapia sistêmica antes do procedimento, dependendo do estágio e das características do tumor.

Essa estratégia, chamada de tratamento neoadjuvante, pode reduzir o tumor, diminuir o risco de recorrência e facilitar sua remoção.

Quando existem metástases, principalmente no fígado ou nos pulmões, avaliamos a indicação cirúrgica de maneira individualizada. Em determinados pacientes, a remoção do tumor intestinal e das metástases pode fazer parte de uma estratégia com intenção curativa.

Quais são os principais tipos de cirurgia?

O procedimento varia conforme a localização do tumor.

Nos tumores do cólon, podemos realizar cirurgias como colectomia direita, colectomia esquerda ou retossigmoidectomia, dependendo da região comprometida. Durante a operação, retiramos a parte do intestino que contém o tumor, juntamente com os vasos e linfonodos correspondentes.

Sempre que possível, reconectamos as extremidades do intestino por meio de uma anastomose.

Nos tumores do reto, a cirurgia pode ser mais complexa devido à proximidade com estruturas importantes da pelve. Entre os procedimentos estão a ressecção anterior do reto, com excisão total do mesorreto, geralmente utilizada quando é possível preservar o ânus, e a amputação abdominoperineal do reto, indicada em situações específicas nas quais a preservação do esfíncter não é segura do ponto de vista oncológico.

Em alguns casos, podemos precisar realizar uma colostomia, que consiste na exteriorização de uma parte do intestino através da parede abdominal para eliminação das fezes. Ela pode ser temporária ou definitiva, dependendo do tipo de cirurgia e das condições do paciente.

Cirurgia aberta, laparoscópica ou robótica?

Atualmente, podemos realizar as operações colorretais por diferentes vias de acesso.

Na cirurgia convencional ou aberta, fazemos uma incisão maior no abdome para permitir o acesso direto aos órgãos. Embora seja uma técnica consolidada e ainda tenha papel importante em determinadas situações, especialmente em operações complexas ou de emergência, a cirurgia minimamente invasiva vem ganhando cada vez mais espaço devido às suas inúmeras vantagens.

Na laparoscopia, realizamos o procedimento por pequenas incisões, utilizando uma câmera e instrumentos específicos. Em pacientes selecionados, essa abordagem pode proporcionar menor trauma cirúrgico, recuperação mais rápida, menor tempo de internação e retorno precoce às atividades diárias.

A cirurgia robótica é uma evolução da cirurgia minimamente invasiva. Nessa técnica, controlo instrumentos articulados por meio de uma plataforma robótica, que oferece visão tridimensional e grande precisão dos movimentos. Ela pode ser particularmente interessante em procedimentos tecnicamente complexos, como algumas cirurgias do reto.

A escolha da técnica, entretanto, não deve ser baseada apenas na tecnologia disponível. O mais importante é avaliarmos qual abordagem oferece maior segurança e melhor resultado oncológico para cada paciente.

Como é o pós-operatório?

A recuperação depende do tipo de cirurgia, da técnica utilizada e das condições clínicas do paciente.

Após o procedimento, acompanhamos a evolução intestinal, o controle da dor, a alimentação, a mobilidade e possíveis sinais de complicação.

A alimentação costuma ser retomada progressivamente, conforme a recuperação do funcionamento intestinal. Também orientamos que o paciente caminhe precocemente, de acordo com as condições clínicas e com a orientação da equipe, para reduzir complicações e favorecer a recuperação.

Os pacientes que recebem uma ostomia contam ainda com o acompanhamento de profissionais especializados, que orientam sobre cuidados com a bolsa coletora, alimentação e rotina diária.

Após a recuperação da cirurgia, o tratamento não termina. Mantemos o acompanhamento médico regular, com consultas e exames definidos de acordo com o estágio da doença e o tratamento realizado. Em alguns casos, também pode haver indicação de quimioterapia complementar.

A importância de uma avaliação individualizada

Não existe uma única cirurgia para todos os pacientes com câncer colorretal.

No planejamento, consideramos o estágio da doença, a localização do tumor, as características identificadas nos exames de imagem e na biópsia, as condições clínicas e os objetivos do tratamento.

Por isso, a decisão costuma envolver uma equipe multidisciplinar, que pode incluir cirurgião, oncologista clínico, radioterapeuta, radiologista, patologista, nutricionista e outros profissionais.

A cirurgia para o câncer colorretal evoluiu significativamente e, quando indicada de forma adequada, pode oferecer excelentes possibilidades de controle da doença.

Considero que o diagnóstico precoce, o planejamento individualizado e o acompanhamento especializado são fundamentais para aumentar a segurança do tratamento e favorecer a recuperação do paciente.


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