Desde a minha infância, eu me via como médica de pessoas e não apenas das doenças. Isso me faz lembrar da decisão do meu pai de largar seu emprego para acompanhar a mim e ao meu irmão do interior para a capital. Esse sempre foi o meu propósito até chegar à especialidade cirúrgica. Foi aí que identifiquei meu maior potencial para ajudar as pessoas com câncer.
Levo em consideração duas etapas principais. A primeira é a avaliação clínica, analisando as condições do paciente, como a presença de outras doenças que precisam estar equilibradas, a exemplo do diabetes, além do histórico de saúde. A segunda etapa envolve os exames pré-operatórios, que incluem avaliações para identificar riscos cardiológicos e anestésicos.
Em se tratando de câncer, o tempo depende de que existam condições adequadas para a realização da cirurgia e também da avaliação dos riscos operatórios.
Isso é variável. Levo em consideração a idade do paciente, as comorbidades de cada caso, o tempo cirúrgico e o tipo de neoplasia.
Na cirurgia oncológica seguimos protocolos bem estabelecidos para cada tipo de neoplasia. No meu caso, que atuo com oncoginecologia, os tumores de colo uterino possuem um estadiamento específico, no qual até o estadiamento IB2 realizamos cirurgias oncológicas de forma ampliada.
A cura, as complicações e as reincidências são os principais medos que os pacientes relatam antes de entrar no bloco cirúrgico.
Sempre digo que o câncer, em suas fases iniciais, tem alta probabilidade de cura. Faça o tratamento sem pensar no depois. Cada etapa bem realizada, seja com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, é mais um passo que precisa ser seguido e ultrapassado nessa luta contra o câncer.