Climatério e menopausa: especialista explica a diferença entre esses dois momentos na vida da mulher

Dra. Romana Luna, ginecologista, explica os principais sintomas dessa fase, quando ela costuma começar, quais cuidados são importantes e como funciona a terapia hormonal da menopausa.

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Climatério e menopausa: especialista explica a diferença entre esses dois momentos na vida da mulher
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A saúde da mulher sempre foi uma área que me fazia brilhar os olhos. Desde os meus tempos de fisioterapeuta, quando atuava com fisioterapia do assoalho pélvico, já existia em mim o desejo de cuidar desse público.

Quando me formei em Medicina pelo CESUPA, não poderia ser diferente. Esse interesse já estava vivo em mim há muito tempo e, logo após a graduação, iniciei a residência em Ginecologia e Obstetrícia na Fundação Santa Casa de Misericórdia.

Climatério e menopausa não são a mesma coisa

Apesar de climatério e menopausa serem termos frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam momentos diferentes.

O climatério é a fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher, envolvendo os anos que antecedem e sucedem a menopausa.

Já a menopausa é um evento específico: corresponde à última menstruação e é diagnosticada retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruar, quando não existe outra causa para a amenorreia.

Portanto, a menopausa está inserida dentro do climatério.

Fogachos, alterações do sono e sintomas geniturinários estão entre as manifestações

Os sintomas do climatério são bastante variados. Os mais conhecidos são os fogachos e a sudorese noturna, mas também podem ocorrer alterações do sono, fadiga, dificuldade de concentração e queixas relacionadas à memória.

Também são frequentes os sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal, redução da lubrificação, dor durante a relação sexual, ardência e sintomas urinários.

A médio e longo prazo, a redução do estrogênio também está relacionada à perda de massa óssea e muscular, além de alterações na composição corporal e no risco cardiovascular.

A transição costuma acontecer entre os 40 e 50 anos

A transição menopausal geralmente ocorre na faixa dos 40 aos 50 anos, enquanto a menopausa natural costuma acontecer aproximadamente entre os 45 e 55 anos, embora existam variações individuais.

A idade da menopausa sofre influência principalmente genética, mas fatores como tabagismo, cirurgias ovarianas, algumas doenças, condições autoimunes e tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem antecipar a perda da função ovariana.

Quando a menopausa acontece antes dos 40 anos, é considerada insuficiência ovariana prematura e necessita de investigação específica.

A avaliação deve ser individualizada

Não existe um painel de exames obrigatório para todas as mulheres durante o climatério. A investigação precisa ser individualizada.

De acordo com a idade, os sintomas e os fatores de risco de cada paciente, podem ser avaliados pressão arterial, peso e composição corporal, glicemia ou hemoglobina glicada (HbA1c), perfil lipídico e função tireoidiana, além de outros exames indicados conforme a história clínica.

A densitometria óssea deve ser solicitada de acordo com a idade e a presença de fatores de risco para osteoporose. Também devem ser mantidos os rastreamentos de câncer de mama e de colo uterino conforme as recomendações vigentes.

Em mulheres mais jovens, especialmente quando existe suspeita de menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura, exames hormonais também podem ser necessários.

O tratamento depende dos sintomas e das características de cada mulher

O tratamento deve ser individualizado e depende dos sintomas apresentados, da idade, do tempo desde a menopausa, da presença ou ausência do útero, do histórico médico e das preferências da paciente.

A terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores, como fogachos e sudorese noturna, e também pode ser utilizada em situações específicas para sintomas geniturinários e proteção óssea.

Quando a mulher possui útero, o estrogênio sistêmico deve, em geral, ser associado a um progestagênio para proteção endometrial. Mulheres que passaram por histerectomia podem, em determinadas situações, utilizar estrogênio isoladamente.

A relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável em mulheres sintomáticas com menos de 60 anos ou que estejam em até 10 anos após a menopausa, desde que não existam contraindicações.

Não existe uma duração máxima universal para a terapia. A necessidade de continuidade deve ser reavaliada individualmente.

Também existem tratamentos não hormonais, particularmente importantes quando a terapia hormonal é contraindicada ou quando a paciente não deseja utilizá-la.

Hábitos saudáveis também fazem parte dos cuidados

O climatério também representa uma oportunidade para investir em prevenção e envelhecimento saudável.

São importantes a prática regular de atividade física, especialmente exercícios de força associados a exercícios aeróbicos, além de uma alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas, fibras e cálcio.

Também recomendo a manutenção de um peso saudável, não fumar, moderar o consumo de álcool, ter um sono adequado e acompanhar a saúde cardiovascular e óssea.

A saúde sexual e geniturinária também merece atenção. Ressecamento vaginal, dor durante a relação sexual e sintomas urinários são condições que podem e devem ser tratadas.

Climatério deve ser encarado sem tabus

O climatério é um período fisiológico pelo qual todas as mulheres irão passar, mas merece cuidado e atenção, porque muitas mudanças acontecem no organismo.

Cuidar da saúde mais de perto, não deixar as consultas de rotina para depois e buscar um estilo de vida saudável são atitudes que ajudam durante essa transição.

Além disso, é importante encarar esse período sem tabus ou preconceitos, mas como mais uma fase da vida, que também pode proporcionar aprendizado e autoconhecimento.


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