Infarto silencioso: veja quais são os sinais, riscos e como identificar
Infarto silencioso pode passar despercebido, mas causar danos ao coração. Cansaço, falta de ar e mal-estar são sinais que exigem atenção.
Imagine o seguinte cenário: uma pessoa sente um mal-estar, um pouco de cansaço e uma falta de ar que parece passageira. Não há, por exemplo, a dor forte no peito que costuma ser associada a um infarto. Sem imaginar o que está acontecendo, ela segue a vida normalmente e só descobre, algum tempo depois, durante uma consulta ou exame, que sofreu um ataque cardíaco sem perceber. “O infarto silencioso é um evento que provoca injúria ao músculo cardíaco (miocárdio), iniciado pela redução do fluxo de sangue e oxigênio para o coração. A incidência gira em torno de 20% dos casos”, explica Cesar Jardim, cardiologista do HCor. Por que nem todo infarto provoca sintomas típicos? O infarto acontece quando o coração deixa de receber sangue em quantidade suficiente. Geralmente, ocorre após a obstrução de uma artéria coronária, muitas vezes por um coágulo formado sobre uma placa de gordura. A interrupção do fluxo reduz o fornecimento de oxigênio e pode causar danos ao tecido cardíaco. Nem sempre o infarto provoca os sinais mais conhecidos, como dor ou pressão no peito. Há situações em que o infarto não provoca sintomas perceptíveis ou causa desconfortos pouco específicos, como enjoo, vômito, falta de ar, fadiga, tontura, indisposição e desconforto na região abdominal. Esses sinais costumam ser confundidos com outros problemas e não despertar suspeita de infarto. Quando esses sintomas surgirem de forma inesperada, principalmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular, é importante procurar atendimento médico rapidamente. O diagnóstico precoce permite o início do tratamento e reduz o risco de complicações. Fatores de risco Os fatores que aumentam o risco de um infarto silencioso são semelhantes aos do infarto típico. Os principais são diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (que inclui níveis elevados de colesterol e triglicerídeos), tabagismo, sedentarismo, estresse emocional e obesidade. Algumas características também elevam o risco, como idade mais avançada e histórico familiar de doença cardíaca. Nas mulheres, o risco cardiovascular aumenta após a menopausa. Veja também: Menopausa: como a queda do estrogênio afeta coração e ossos da mulher Como o infarto silencioso é identificado? Quando o episódio não é percebido no momento em que acontece, a investigação revela sinais de que o coração sofreu uma lesão. O diagnóstico leva em conta os resultados dos exames e a avaliação médica. “Alguns exames indicam que a pessoa já teve um infarto do miocárdio, mesmo que o episódio tenha passado despercebido. Entre eles estão o eletrocardiograma, o ecocardiograma, a cintilografia de perfusão miocárdica e a ressonância magnética do coração”, detalha Jardim. Exames de sangue que avaliam marcadores de lesão do músculo cardíaco, como a troponina, também ajudam a identificar o infarto. Possíveis complicações O infarto silencioso também causa lesões no músculo cardíaco. Como a pessoa não percebe o que aconteceu, o diagnóstico e o tratamento tendem a ser adiados. Em situações graves, o infarto é potencialmente fatal. Entre as possíveis complicações estão: insuficiência cardíaca: a área lesionada pode formar uma cicatriz e reduzir a capacidade do coração de bombear sangue adequadamente; arritmias: alterações na frequência ou no ritmo dos batimentos cardíacos, que ocorrem quando o dano afeta a atividade elétrica do coração; disfunção valvar: alteração no funcionamento de uma das válvulas do coração, que pode comprometer o fluxo sanguíneo; edema agudo de pulmão: acúmulo de líquido nos pulmões, geralmente associado a uma dificuldade importante do coração em bombear sangue; choque cardiogênico: condição grave em que o coração não consegue bombear sangue suficiente para manter os órgãos funcionando adequadamente. Um estudo publicado em 2018 na revista JAMA Cardiology acompanhou 935 idosos e identificou casos de infarto não reconhecidos por ressonância magnética. Após dez anos, as taxas de mortalidade foram semelhantes entre as pessoas que tiveram um infarto não reconhecido e aquelas cujo infarto foi identificado no momento do episódio. Há ainda estudos que associam o infarto silencioso a um maior risco de AVC recorrente e a um declínio mais rápido da função cognitiva. Tratamento e prevenção A escolha do tratamento depende de quando o infarto é identificado e das condições de saúde da pessoa. Pode incluir medicamentos e, quando há obstrução das artérias coronárias, procedimentos como angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização do miocárdio. Após o infarto, os cuidados devem continuar mesmo quando o episódio não provocou sintomas para evitar novos eventos cardiovasculares. “As medidas de prevenção para um segundo episódio são exatamente iguais às do primeiro. Quem tem essa luz amarela acesa não deve deixar os fatores de risco sem controle. Hoje, com exames laboratoriais de rotina, medição da pressão arterial, controle do peso e hábitos de vida bem orientados, é possível evitar novos episódios”, finaliza Ricardo Pavanello, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Veja também: Infarto durante o treino: saiba como identificar os sinais de alertaThe post Infarto silencioso: veja quais são os sinais, riscos e como identificar first appeared on Portal Drauzio Varella.
Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL
FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/ambulatorio/infarto/infarto-silencioso-veja-quais-sao-os-sinais-riscos-e-como-identificar/