De olho na data de validade: quais os riscos de ingerir alimentos vencidos?

Ingerir alimentos vencidos, mesmo quando ainda possuem boa aparência, é um ato prejudicial para a saúde. Especialistas explicam o motivo.

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Você abre o armário, pega o produto, depara-se com a data de validade vencida e então se questiona: existe algum risco? A resposta é sim. Nem mesmo a aparência, cheiro e sabor são suficientes para determinar se um alimento está seguro. Quando ele passa da validade, podem se formar bactérias, vírus ou toxinas que irritam o estômago e o intestino. Segundo Daniel Prestes, infectologista, comer alimentos vencidos pode causar uma infecção (quando o próprio microrganismo presente no alimento estragado agride o intestino) ou uma intoxicação (quando já existem toxinas prontas no alimento, mesmo sem cheiro ou aparência estranha).  O resultado costuma ser enjoo, vômito e diarreia (às vezes com sangue), podendo levar à desidratação. Outros sinais incluem febre, cólicas abdominais e dor de cabeça.  “Quando os sintomas aparecem poucas horas depois de comer, isso costuma indicar uma toxina já presente no alimento; quando demoram mais tempo para começar, é mais provável que se trate de uma infecção. Por isso, é importante ficar atento aos sinais de desidratação”, explica Prestes. Sinais de alerta De acordo com o médico, quando há muita perda de líquido pelo vômito ou pela diarreia, o paciente pode apresentar ainda boca seca, sede intensa, urina escura e em pouca quantidade, tontura ao levantar, fraqueza, pele menos elástica, olhos fundos e, em casos mais graves, confusão mental e sonolência. Existem também situações em que uma intoxicação alimentar pode se tornar mais grave, como em crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com imunidade baixa. Além disso, o uso de medicamentos que travam o intestino (como os antidiarreicos comuns) quando há sangue nas fezes também pode agravar o quadro.  Se não houver sintomas, o mais indicado é apenas observar o corpo, já que muitos casos não chegam a causar problema. Se surgirem sintomas, o principal cuidado é beber bastante líquido para evitar a desidratação, de preferência soro de reidratação oral, e voltar a comer aos poucos, com alimentos leves, assim que for possível. Microrganismos nem sempre causam alterações perceptíveis Os microrganismos mais associados ao consumo de alimentos fora da validade são esses: norovírus: causa comum de surtos, com vômito e diarreia de início rápido; salmonela: uma das principais causas de internação por doença alimentar; Campylobacter: ligado a carnes mal cozidas e leite não pasteurizado; Escherichia coli (cepas que produzem toxina): associada à carne bovina crua ou mal passada, podendo em casos raros afetar os rins; Staphylococcus aureus, Clostridium perfringens e Bacillus cereus: bactérias que produzem toxinas em alimentos mal conservados, causando sintomas que podem começar poucas horas após a ingestão; Listeria: presente em laticínios não pasteurizados e alimentos prontos, mais perigosa para gestantes, idosos e pessoas com imunidade baixa. Segundo Luisa Muller Arruda, nutricionista pós-graduada em oncologia pela Faculdade Israelita Albert Einstein, alguns microrganismos capazes de causar doenças podem estar presentes sem provocar alterações perceptíveis no alimento. Por isso, não devemos utilizar apenas os sentidos como critério para decidir se um alimento vencido pode ser consumido. “Aparência, cheiro e sabor não são suficientes para determinar se um alimento está seguro. A validade, as condições de armazenamento e o histórico de manipulação também precisam ser considerados”, destaca.  Outro ponto importante é entender a diferença entre a data de validade e a indicação de consumo após aberto. Em resumo, a data de validade é o período estabelecido pelo fabricante em que o alimento mantém suas características e segurança, desde que tenha sido armazenado de acordo com as condições indicadas na embalagem. Já a indicação de consumo diz respeito ao tempo em que o alimento pode ser ingerido após a sua abertura.  Afinal, depois de aberto, as condições mudam: o alimento passa a ter contato com oxigênio, umidade e microrganismos do ambiente e da manipulação. Por isso, alguns produtos trazem uma orientação específica de consumo após a abertura, como “consumir em até X dias após aberto”.  “Nesse caso, essa informação deve ser respeitada, mesmo que a data de validade impressa na embalagem ainda não tenha sido atingida”, ressalta Arruda. Veja também: Intoxicação alimentar: saiba quais alimentos são perigosos e como evitar contaminações Cuidado com os alimentos perecíveis De maneira geral, alimentos mais perecíveis e com maior quantidade de água e nutrientes disponíveis para o crescimento de microrganismos exigem maior atenção. É o caso de carnes, peixes, ovos, leite e derivados, preparações prontas e alimentos que precisam de refrigeração. “Também é importante ter cuidado com alimentos já abertos ou preparados, porque a manipulação aumenta a possibilidade de contaminação. Quanto mais perecível e quanto mais inadequadas forem as condições de armazenamento, maior pode ser o risco”, explica a nutricionista.  Por falar em conservação, alguns erros favorecem a contaminação, como:  deixar alimentos perecíveis fora da geladeira por muito tempo; manter geladeira em temperatura inadequada; guardar alimentos preparados por muitos dias; descongelar alimentos em temperatura ambiente. É necessário ainda evitar a contaminação cruzada, mantendo carnes, ovos e outros alimentos crus separados daqueles que já estão prontos para consumo. “A higiene das mãos, utensílios e superfícies também é uma etapa fundamental da segurança alimentar.” Atenção redobrada para pacientes com câncer Segundo Arruda, pacientes oncológicos podem apresentar maior vulnerabilidade a infecções durante determinadas fases do tratamento, especialmente quando há comprometimento das defesas imunológicas.  “Não se trata apenas de escolher alimentos nutritivos, mas de garantir que sejam seguros desde a compra até o consumo. Validade, refrigeração, higienização, manipulação e preparo adequado ganham ainda mais importância. É importante destacar que os cuidados devem ser individualizados de acordo com o tratamento e as condições clínicas”, afirma.  Outra dica é ter atenção ao fazer refeições em restaurantes. “Sempre dê prioridade para estabelecimentos confiáveis e escolha bem os alimentos que estarão no prato. No paciente oncológico, segurança alimentar e adequação nutricional precisam caminhar juntas”, completa.  Veja também: Maior parte das infecções alimentares ocorre em residências The post De olho na data de validade: quais os riscos de ingerir alimentos vencidos? first appeared on Portal Drauzio Varella.

Este artigo tem como fonte DRAUZIO VARELLA UOL

FONTE: https://drauziovarella.uol.com.br/alimentacao/de-olho-na-data-de-validade-quais-os-riscos-de-ingerir-alimentos-vencidos/
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