Eleições 2026: o que os candidatos à Presidência pensam sobre a Estratégia Saúde da Família?
A Estratégia Saúde da Família envolve equipes multidisciplinares que atuam para garantir o acesso universal aos serviços de saúde.
Entre no nosso Grupo Whatsapp — Receba as principais notícias do diaParticipar A Estratégia Saúde da Família (ESF) é o principal modelo de Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). A ESF conta com equipes multidisciplinares constituídas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde (ACS) e profissionais de saúde bucal. Atualmente, há mais de 61 mil equipes da ESF atuando no território nacional, e cada uma atende entre 3 mil e 4 mil pessoas. De acordo com o Ministério da Saúde, a ESF desempenha um papel fundamental na garantia de acesso aos serviços de saúde pela população, com especial atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade social, residentes em áreas remotas, idosos, crianças e indivíduos com doenças crônicas. Por sua importância, é fundamental entender o que cada candidato pretende para o futuro da ESF e, consequentemente, a saúde dos brasileiros. Propostas dos candidatos à presidência para a Estratégia Saúde da Família De acordo com especialistas em saúde pública, um dos principais obstáculos à ESF é a dependência de programas federais, como o Mais Médicos, responsável por mais de 45% das equipes da estratégia. Além disso, o modelo precisa avançar no cuidado das doenças crônicas e na incorporação de ferramentas digitais. Veja o que dizem os cinco candidatos à Presidência mais bem colocados na última pesquisa de intenção de voto da Quaest, divulgada em 14 de setembro, a respeito do tema. Lula (PT) Luís Inácio Lula da Silva faz várias menções à atenção básica, e a ESF avançou de 67,4% para 72,8% sob seu último governo. Lula promete, caso ganhe as eleições, expandir e qualificar as equipes multiprofissionais da ESF, em especial com ferramentas de saúde digital, uma demanda de muitos especialistas em saúde pública. Também promete a integração entre a Atenção Primária, a Vigilância em Saúde, a Assistência Farmacêutica e a Atenção Especializada, além da valorização dos profissionais do Mais Médicos. Flávio Bolsonaro (PL) Bolsonaro promete ampliar a ESF, embora não explique exatamente quais medidas pretende tomar para esse fim. Augusto Cury (Avante) O candidato, que é médico, afirma que irá fortalecer a atenção primária, mantendo a atenção básica como o principal eixo do SUS. Isso será feito, segundo o programa de Cury, por meio de investimento na prevenção de doenças, no acompanhamento das famílias e na ampliação das equipes multiprofissionais. Renan Santos (Missão) No “Livro amarelo”, que apresenta as propostas do Missão que orientam Renan Santos, não há menção à ESF. No entanto, para a atenção básica há medidas como criação de um sistema digital de saúde e de um Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável (PRONTO), que conectaria a Atenção Primária aos serviços especializados e repasses para municípios de acordo com seu desempenho. Ronaldo Caiado (PSD) O programa do candidato do PSD, que também é médico, visa proteger o SUS e transformá-lo em “uma rede mais preventiva, integrada, digital e orientada por resultados”. Segundo o programa, a Estratégia Saúde da Família precisa evoluir de um modelo centrado em atender quem procura para outro capaz de conhecer sua população, identificar risco e buscar ativamente quem precisa. Entre as propostas para a atenção básica estão: busca ativa e a criação do Programa Nacional de Crônicos; modernizar UBSs; e criar um centro de Atenção Primária que integre informações sobre a população cadastrada. O que deve ser prioridade para a ESF? O Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e a Umane lançaram o Agenda Mais SUS 2027-2030, uma publicação que reúne propostas factíveis para o SUS e nos ajuda a avaliar os planos de governo de cada candidato com base nas necessidades atuais da rede. De acordo com a Agenda, as equipes da ESF passaram a ter forte dependência dos médicos vinculados a Programas de Provimento, como o Mais Médicos. Julia Pereira, gerente de relações institucionais do Instituto de Estudo para Políticas de Saúde (IEPS), concorda: “A cobertura da Estratégia Saúde da Família cresceu de 67,4% para 72,8% entre 2022 e 2025, mas essa expansão depende cada vez mais de um único programa federal de provimento: médicos do Mais Médicos hoje respondem por 45,8% das equipes de saúde da família, contra 25,8% em 2022”. Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), a Estratégia Saúde da Família precisa ser ampliada, pois é a estratégia estruturante da Atenção Primária há mais de 30 anos. “Mas a cobertura sozinha não resolve. O que faz diferença é a capacidade resolutiva: a Atenção Primária precisa ter equipe, tecnologia diagnóstica e terapêutica suficientes para resolver a maior parte das necessidades de saúde da população sem que ela precise recorrer a outros níveis de atenção, e precisa exercer de fato o papel de ordenadora do acesso à rede especializada e hospitalar”. Veja também: A importância do programa Estratégia Saúde da Família para as comunidadesThe post Eleições 2026: o que os candidatos à Presidência pensam sobre a Estratégia Saúde da Família? first appeared on Portal Drauzio Varella.
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