O acesso ao diagnóstico e ao tratamento do transtorno do espectro autista (TEA) ainda é limitado no Brasil. É o que mostra o estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), considerado o primeiro levantamento sociodemográfico nacional sobre pessoas autistas. A pesquisa evidencia desigualdades no acesso à saúde, baixa carga de terapias e dificuldades estruturais na inclusão educacional e profissional.
O estudo, conduzido pelo Instituto Autismos, reuniu mais de 23 mil entrevistas em todo o país e mostrou que o acesso ao diagnóstico ainda é desigual.
Embora cerca de 25% da população brasileira tenha plano de saúde, apenas 20,4% das pessoas autistas tiveram diagnóstico confirmado pelo Sistema Único de Saúde. A maior parte depende da rede privada ou de planos.
Quando o assunto é terapia, o cenário é ainda mais crítico:
Além disso, 56,5% dos entrevistados realizam no máximo duas horas semanais de terapia — um volume considerado insuficiente diante das recomendações internacionais.
A pesquisa também traça um panorama sociodemográfico:
Entre as comorbidades mais comuns, destacam-se:
Embora a maior parte dos diagnósticos aconteça até os 4 anos, a média geral é de 11 anos — indicando que muitos casos ainda são identificados tardiamente.
Outro dado relevante:
O diagnóstico é feito principalmente por neurologistas ou neuropediatras (67%), seguido por psiquiatras (22,9%).
As terapias mais comuns incluem:
Mesmo assim:
O acesso via SUS é mais restrito, especialmente em terapias como ABA, psicomotricidade e musicoterapia.
Apesar de 83,7% frequentarem escola, quase 40% não recebem nenhum tipo de apoio educacional.
Entre adultos autistas:
O estudo aponta que a inclusão ainda é um desafio estrutural no país.
Entre os responsáveis:
Segundo o estudo, a dedicação ao cuidado impacta diretamente a vida profissional e financeira das famílias.
O Mapa Autismo Brasil evidencia um cenário de desigualdade no acesso ao diagnóstico, tratamento e inclusão. Apesar dos avanços, o país ainda enfrenta desafios importantes para garantir atendimento adequado, especialmente na rede pública.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas mais estruturadas, ampliação do acesso a especialistas e fortalecimento das estratégias de inclusão social.