Diabetes amplia o risco de doença renal crônica: especialista explica a importância do monitoramento

Dra. Amanda Santos, nefrologista, explica como o diabetes pode comprometer a função dos rins ao longo do tempo e destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular.

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Diabetes amplia o risco de doença renal crônica: especialista explica a importância do monitoramento
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Minha trajetória na Nefrologia

Primeiramente, obrigada pela oportunidade. Eu costumo dizer que foi a Nefrologia que me escolheu. Durante a faculdade de Medicina na Universidade do Estado do Pará e a residência em Clínica Médica em um hospital de referência de São Paulo, a complexidade dos pacientes renais e a quantidade de condições clínicas diversas que impactam diretamente a saúde renal me encantaram. E, desde então, eu sigo esse caminho.

Como o diabetes pode levar à doença renal crônica

A relação acontece principalmente pela hiperglicemia crônica. Ao longo dos anos, o excesso de glicose provoca alterações nos vasos e nos glomérulos dos rins, levando inicialmente à hiperfiltração e ao aumento da albuminúria, que é a perda de proteína na urina.

Com a progressão da lesão, ocorre perda gradual da função renal, podendo evoluir para doença renal crônica e até necessidade de hemodiálise.

A importância de chegar precocemente ao nefrologista

Infelizmente, muitos pacientes diabéticos chegam ao nefrologista já em fases mais avançadas da doença renal, frequentemente nos estágios 4 ou 5.

Essa demora reduz a oportunidade de intervir precocemente, controlar os fatores de risco e retardar a progressão da doença. Por isso, o acompanhamento deve começar ainda nas fases iniciais, com avaliação precoce da função renal e da albuminúria.

Os exames indispensáveis para o monitoramento dos rins

Os principais exames são a creatinina e a relação albumina/creatinina na urina, que detecta precocemente a lesão renal.

Também é importante acompanhar com exame de urina e, conforme o estágio da doença, eletrólitos, como sódio, potássio, gasometria, além dos exames de controle metabólico e do diabetes, como glicemia em jejum e hemoglobina glicada.

Em geral, a avaliação deve ser feita pelo menos uma vez ao ano em pacientes com diabetes. Se já houver doença renal conhecida, a frequência deve ser maior, podendo ser a cada 3 a 6 meses, de acordo com o estágio e a evolução do paciente.

Fatores que podem acelerar a progressão da doença renal

Sim. Além do controle inadequado da glicemia, fatores como pressão arterial elevada, tabagismo, obesidade, sedentarismo e uso frequente de medicamentos que podem agredir os rins, como anti-inflamatórios, podem acelerar a progressão da doença.

Muitas vezes, esses fatores são subestimados, mas seu controle adequado pode fazer uma grande diferença na preservação da função renal.

Como conduzo o tratamento da doença renal crônica associada ao diabetes

O tratamento é multidisciplinar e envolve, principalmente, o controle da glicemia e da pressão arterial, redução da albuminúria, cuidados com alimentação e estilo de vida e acompanhamento regular da função renal.

Nos últimos anos, tivemos uma mudança importante: hoje contamos com medicamentos como os inibidores de SGLT2, que, além de controlar a glicemia, oferecem proteção renal e cardiovascular, e os agonistas de GLP-1, que também contribuem para a proteção cardiovascular e renal.

Mais recentemente, a finerenona ampliou as opções para pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal. Ou seja, atualmente não tratamos apenas a glicemia; buscamos proteger o rim e reduzir o risco cardiovascular de forma precoce.

O papel do controle glicêmico na preservação da função renal

O controle glicêmico adequado é fundamental para reduzir a velocidade de progressão da doença renal, principalmente por diminuir a lesão glomerular. Mas é importante individualizar as metas, especialmente nos pacientes com doença renal mais avançada.

Por isso, o acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo nefrologista, endocrinologista e nutricionista. O monitoramento da glicemia, pressão arterial, função renal e albuminúria é fundamental.

O objetivo é não apenas controlar o diabetes, mas preservar a função renal e reduzir fatores de risco.

Meu recado para quem tem diabetes

Meu principal recado é: não espere o rim dar sinais para começar a cuidar dele.

A doença renal do diabetes pode evoluir de forma silenciosa por muitos anos. O acompanhamento com o nefrologista permite identificar alterações precocemente, mesmo antes do surgimento de sintomas, e adotar medidas para preservar a função renal.

Cuidar dos rins desde cedo é uma forma de prevenir complicações e melhorar a qualidade e a expectativa de vida.


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