Me graduei em Medicina pela Universidade Federal do Pará em 2013 e cursei a residência médica em Ortopedia e Traumatologia pela Universidade Estadual do Pará. Também fiz especialização em Traumatologia do Esporte e Cirurgia do Joelho pela Unifesp.
Sempre fui apaixonado por esportes e, dentro da Medicina, procurei aliar essa paixão aos estudos e à prática profissional. O interesse pela Ortopedia nasceu dessa associação e se consolidou no último ano da graduação, quando acompanhei algumas cirurgias ortopédicas de urgência no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência e pude compreender a importância dessa especialidade na reconstrução das funções básicas dos pacientes.
A infiltração articular do joelho consiste na injeção de uma substância diretamente na cavidade articular do joelho ou de forma intralesional quando se trata de lesões tendíneas ou ligamentares.
É um procedimento que atua, em geral, com o objetivo de aliviar a dor e auxiliar na reabilitação funcional do membro inferior de maneira mais precoce.
As indicações mais consolidadas para infiltração articular são as condições degenerativas, como osteoartrose, condropatia patelofemoral e sinovite que cursam com sintomas.
Alguns fatores são cruciais para decidir pela infiltração e definir qual tipo será utilizado: idade, demanda funcional, nível de atividade física, resposta a outras terapias prévias, presença de deformidades anatômicas e grau de degeneração da cartilagem articular.
A escolha depende principalmente do diagnóstico, do grau da doença, da presença de inflamação e do objetivo do tratamento.
Os corticóides têm potente efeito anti-inflamatório e início de ação rápido. Por isso, são úteis quando existe sinovite, derrame ou exacerbação inflamatória, mas seu benefício tende a ser de curta duração e devemos ter cautela com aplicações repetidas.
O ácido hialurônico é uma substância sintética, com múltiplas propriedades. Tem efeito mais gradual e busca melhorar as propriedades do líquido sinovial, líquido normalmente presente na articulação, além de apresentar efeitos biológicos como lubrificação articular e controle da inflamação e da dor.
Pode ser considerado principalmente na osteoartrose leve a moderada, especialmente em pacientes com sintomas predominantemente mecânicos e pouca atividade inflamatória.
Já o PRP, plasma rico em plaquetas, consiste em um concentrado de células do próprio sangue do paciente, que é coletado e centrifugado. Atua por meio da liberação de fatores e mediadores que modulam o ambiente intra-articular.
Atualmente, é uma das opções com melhor evidência para benefício clínico mais prolongado, principalmente em pacientes com osteoartrose leve a moderada após o tratamento conservador sem sucesso.
As terapias celulares, como o aspirado de medula óssea, são promissoras, mas ainda possuem menor nível de evidência e não demonstraram superioridade consistente que justifique seu uso rotineiro.
Portanto, não existe uma substância ideal para todos os pacientes. A decisão deve ser individualizada.
Também é importante lembrar que nenhuma dessas infiltrações deve ser apresentada como capaz de regenerar de forma comprovada a cartilagem ou modificar definitivamente a evolução da degeneração articular. Elas fazem parte de uma estratégia mais ampla de tratamento.
Independentemente da substância escolhida, a infiltração deve ser entendida como adjuvante: não substitui exercício terapêutico, fortalecimento, controle de peso quando indicado e correção dos fatores biomecânicos relevantes.
Não existe um ponto de corte, independentemente da substância aplicada.
Para corticoides, é recomendado evitar mais de três a quatro infiltrações por ano devido aos possíveis riscos de agressão condral. Além disso, estudos mostraram que os efeitos analgésicos e anti-inflamatórios tendem a diminuir com aplicações sucessivas. Isso também vale para o ácido hialurônico.
Para o ácido hialurônico e o PRP, novas infiltrações devem ser consideradas levando-se em conta a resposta clínica do paciente e a indicação. Deve-se evitar uma nova aplicação em menos de seis meses da anterior.
De forma geral, a infiltração do joelho é um procedimento de baixo risco quando corretamente indicada e realizada.
Os principais eventos adversos são dor ou reação inflamatória transitória pós-injeção, sangramento ou hemartrose e, muito raramente, artrite séptica.
Para corticosteroides, há risco de hiperglicemia transitória, especialmente em diabéticos, além de efeitos sistêmicos e condrais quando utilizados repetidamente.
Na prática, esses riscos são minimizados por meio da avaliação prévia de infecção ativa, presença de comorbidades, diabetes e anticoagulação, além de técnica rigorosamente asséptica e correta localização intra-articular. A ultrassonografia pode aumentar a precisão quando necessário.
A infiltração é uma ferramenta para controlar sintomas e facilitar a recuperação funcional, e não uma cura isolada ou comprovadamente regenerativa do joelho.
Deve ser entendida como parte de uma estratégia multimodal, associada principalmente a exercício terapêutico, fortalecimento, controle de peso quando indicado e correção de fatores biomecânicos e de carga.
Entenda a dor como uma resposta do seu corpo frente a algo anormal, que deve ser investigado e tratado.
Procure um profissional especializado e qualificado na área de atuação e que lhe passe plena confiança para que a opção terapêutica seja bem indicada e bem-sucedida.