No final de 2019, concluí o curso de Medicina pela Universidade Federal do Pará e, no início de 2020, já ingressei na residência médica de Ginecologia e Obstetrícia. Uma das minhas grandes inspirações vem da influência familiar, minha mãe-avó, que por muito tempo foi parteira. Além disso, a especialidade tem uma área de atuação muito vasta, e sempre gostei da ideia de poder alinhar a medicina clínica com a cirúrgica.
O Implanon NXT é um método contraceptivo reversível de longa duração (LARC), que age liberando continuamente uma pequena quantidade de hormônio, o etonogestrel, que vai progressivamente decaindo a cada ano que passa.
Com isso, ele impede a ovulação, além de também espessam o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides.
A principal diferença dele para outros métodos é a segurança e a comodidade, pois é considerado o método contraceptivo mais eficaz do mercado e é implantado no braço, com duração de 3 anos, atualmente, no Brasil.
O implante pode ser utilizado por adolescentes e adultas, mas, na prática clínica, a indicação não depende de existir uma “candidata ideal”, mas de avaliar elegibilidade médica, preferência da paciente e contexto reprodutivo.
Geralmente, se beneficiam desse método as pacientes que desejam um método reversível de alta eficácia contraceptiva, com a comodidade de não precisar de uso frequente; que preferem evitar métodos contendo estrogênio; pacientes no pós-parto; e também aquelas que têm dificuldade de aderir a anticoncepcionais orais ou injetáveis.
O efeito adverso mais comum é a alteração do padrão de sangramento. E isso muitas vezes interfere na continuidade do método.
Essa alteração é muito variável e pode ser um spotting, um sangramento mais prolongado e frequente, uma amenorreia ou mesmo períodos de sangramento frequentes e períodos de ausência. Cada organismo responde de uma forma diferente.
Outros efeitos adversos são dor no local da inserção, cefaleia, aumento da oleosidade da pele, entre outros.
O primeiro passo é tranquilizar a paciente e analisar. Todo método contraceptivo tem um período de adaptação, que é de até 6 meses, então, nesse período de tempo, podem surgir mudanças que não necessariamente serão definitivas.
Descartadas possibilidades de gestação em curso, interações medicamentosas, endocrinopatias e doenças uterinas, o melhor a se fazer é observar aquele padrão de sangramento.
Quando o desconforto é muito grande, podem ser utilizados medicamentos não hormonais, como AINEs e ácido tranexâmico, e também medicações hormonais à base de estrogênio ou combinadas, caso a paciente seja elegível.
As recomendações clínicas classificam as condições de 1 a 4, sendo: 1 = sem restrição; 2 = geralmente pode usar; 3 = riscos geralmente superam benefícios; e 4 = risco inaceitável.
A contraindicação mais importante é o câncer de mama atual, que é categoria 4. O implante também pode ser contraindicado em algumas doenças hepáticas, como o carcinoma hepatocelular.
Outras comorbidades não são contraindicações absolutas, mas merecem atenção, como trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, atual ou prévia, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial descompensada, diabetes com complicações vasculares, renais ou neurológicas, lúpus, doença renal importante, anemia falciforme e uso de determinados medicamentos, pois alguns podem reduzir a eficácia do implante.
A inserção e a retirada são procedimentos relativamente rápidos, feitos com anestesia local.
Após a anestesia, o implante é introduzido com o seu próprio aplicador, na parte interna do braço, ficando logo abaixo da pele. Verifica-se pelo toque se o bastão está no lugar e coloca-se um curativo compressivo para diminuir sangramento e hematomas por um curto período de tempo.
Nas próximas horas ou dias, é comum apresentar sensibilidade ou dor leve no braço, hematomas, sensação de pressão no local, pequeno inchaço e pode ser observada uma pequena marca ou ferida onde entrou o aplicador. É muito comum também haver mudanças no padrão de sangramento.
A retirada também é feita com anestesia local. Realiza-se uma pequena incisão, geralmente próxima à extremidade do implante, o bastão é exposto e retirado com uma pinça e é colocado um curativo compressivo. Em alguns casos, pode ser necessário fechar a incisão.
Depois da retirada, pode haver um pouco de desconforto no local, dor, leve sangramento, hematoma, inchaço e a formação de uma pequena cicatriz.
É importante ressaltar que a fertilidade pode retornar rapidamente após a retirada. Então, quando não há desejo de concepção, é necessário introduzir outro método contraceptivo.
Nos Estados Unidos, houve uma atualização em 2026: o FDA passou a aprovar o Nexplanon, implante contraceptivo similar ao Implanon, para até 5 anos, baseado em dados que demonstraram eficácia durante o 4º e o 5º anos.
Mas, no Brasil, a bula do Implanon estabelece até 3 anos de uso e orienta que ele seja retirado ou substituído até o final desse período.
O principal problema é o efeito contraceptivo. O dispositivo em si não oferece risco, não é tóxico ou se decompõe dentro do braço. Com o passar do tempo, a quantidade de etonogestrel liberada pelo implante diminui, então existe a possibilidade de a proteção contra gravidez diminuir.
É importante ressaltar que o implante não precisa ser retirado em uma emergência apenas porque passou um pouco do prazo. A consulta com o profissional habilitado, de preferência o mesmo que realizou a inserção, deve ser agendada.
E, ainda, deve-se orientar sobre a utilização de preservativos caso ocorra esse atraso para remoção do método e a paciente não tenha desejo de gestar.
Antes de decidir pelo implante ou por qualquer método, o ideal é marcar uma consulta com um ginecologista.
Só uma avaliação médica individualizada pode analisar seu histórico de saúde, seus medicamentos, possíveis contraindicações e verificar se esse método é realmente adequado para você.
As informações gerais ajudam, mas não substituem essa avaliação.