Desde que entrei na faculdade, desejava me especializar em Oncologia pela possibilidade de ajudar as pessoas a enfrentarem uma doença tão delicada e devastadora.
Ao longo do curso, tive a oportunidade de estagiar tanto na Cirurgia Oncológica quanto na Oncologia Clínica, e a proximidade com a doença me fez gostar cada dia mais da especialidade.
A residência em Radioterapia foi uma surpresa até mesmo para mim. Ao conhecer a rotina da especialidade, percebi sua proximidade com a física das radiações, área com a qual sempre tive muita afinidade.
Hoje, posso dizer que sou realizada fazendo o que faço e tendo a oportunidade de impactar tantas histórias.
Os sintomas do câncer de esôfago são facilmente confundidos com problemas mais comuns, como gastrite, doença do refluxo gastroesofágico, hérnia de hiato e até mesmo indigestão.
Por esse motivo, o próprio paciente costuma não dar tanta importância aos sintomas no início. Alguns recorrem à automedicação, e há também profissionais que não valorizam suficientemente essas manifestações, tendendo a propor apenas medidas comportamentais e medicamentos para alívio dos sintomas.
Com isso, a doença pode progredir e os sintomas se tornarem mais intensos, apesar das medidas já adotadas.
Além disso, existe a dificuldade de acesso a exames especializados para grande parte da população, como a endoscopia digestiva e a biópsia, o que também contribui para o diagnóstico tardio.
Entre os principais sinais e sintomas que merecem atenção e podem indicar um tumor no esôfago, destaco a dor retroesternal, os engasgos, a sensação de entalo, os vômitos, a perda de peso não intencional e abrupta e a plenitude gástrica.
Essas manifestações precisam ser investigadas, especialmente quando persistem ou apresentam piora progressiva.
A radioterapia atua induzindo danos ao DNA das células tumorais, que podem levar tanto à morte celular quanto à inviabilidade reprodutiva dessas células.
A radiação também desencadeia efeitos imunomoduladores, que podem estimular uma resposta imune antitumoral. Quando associada a determinadas drogas quimioterápicas, seus efeitos podem ser otimizados.
Para que a radioterapia seja considerada curativa, é necessário conhecer algumas particularidades do tumor, como o subtipo histológico e as condições em que a doença se encontrava no momento do diagnóstico.
Dessa forma, a radioterapia pode apresentar efeito curativo quando associada à quimioterapia ou, em determinadas situações, necessitar de tratamento complementar com cirurgia.
Esses efeitos dependem não apenas da histologia e do estadiamento da doença, mas também de fatores individuais de cada paciente, como presença ou ausência de tabagismo, estado nutricional e características genéticas tumorais, entre outros.
A radioterapia pode ser utilizada isoladamente em tumores de esôfago quando possui caráter paliativo, com o objetivo de aliviar a disfagia maligna, ou seja, a dificuldade para engolir causada pelo tumor, ou até mesmo controlar sangramentos tumorais refratários às medidas clínicas.
Também pode ser utilizada isoladamente quando o paciente apresenta alguma contraindicação ao uso de quimioterápicos.
Em geral, a radioterapia é realizada em associação com quimioterapias radiossensibilizantes, que são medicamentos capazes de otimizar os efeitos terapêuticos da radiação.
O planejamento radioterápico do câncer de esôfago é um processo criterioso e individualizado, que começa com uma avaliação multidisciplinar e a análise detalhada dos exames do paciente.
A partir dessas informações, o paciente é submetido a um exame de imagem tomográfica para auxiliar no planejamento técnico, de forma que possamos identificar com precisão a região a ser tratada.
Nesse processo, consideramos também os movimentos respiratórios e a proximidade de órgãos vizinhos que podem receber doses menores de radiação, como coração, pulmões e medula espinhal.
A escolha da técnica, da dose de radiação e do número de sessões depende de fatores como a localização, o tipo e a extensão do tumor, as condições clínicas do paciente e, principalmente, o objetivo do tratamento.
A radioterapia pode ser utilizada antes da cirurgia, geralmente associada à quimioterapia, como tratamento definitivo ou com finalidade paliativa, para aliviar sintomas como a dificuldade de engolir.
Atualmente, contamos com técnicas modernas, como a radioterapia de intensidade modulada (IMRT/VMAT), que permitem direcionar a radiação com maior precisão, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis.
Nosso objetivo é oferecer um tratamento personalizado, que proporcione o melhor controle possível da doença, com segurança, menor toxicidade e preservação da qualidade de vida.
A esofagite actínica é o efeito colateral agudo mais comum e característico da radioterapia nessa região, seguida por toxicidade hematológica, náuseas, vômitos, anorexia, dermatite e pneumonite.
Já a fibrose pulmonar, a estenose esofágica e a toxicidade cardíaca tardia estão entre as principais complicações crônicas.
O manejo destas toxicidades pode ser realizado com medicamentos, laserterapia, suporte nutricional, entre outras medidas, dependendo da gravidade com que se apresentam em cada paciente.
A dificuldade persistente para engolir não deve ser considerada normal, especialmente quando é progressiva ou acompanhada de perda de peso involuntária.
Embora esse sintoma possa estar relacionado a diferentes condições benignas, ele também pode ser um sinal de doenças mais graves, como o câncer de esôfago.
Por isso, considero fundamental procurar avaliação médica e investigar a causa, sem esperar que o problema se agrave.
O diagnóstico precoce amplia as possibilidades terapêuticas e pode fazer uma diferença significativa nos resultados do tratamento.
Meu recado é simples: não normalize os sinais que o seu corpo apresenta. Cuidar da saúde também é saber reconhecer quando é hora de buscar ajuda.