Decidi seguir a urologia ainda durante o curso de medicina na Universidade do Estado do Pará. Desde o momento em que passei pela disciplina de urologia, iniciei um estágio voluntário na especialidade e produzi artigos científicos relacionados ao tema por dois anos.
Após me formar, viajei para São Paulo para me especializar, onde realizei residência em Cirurgia Geral e Urologia. Posteriormente, concluí meu doutorado em Urologia pela Universidade Federal de São Paulo.
Essa área da medicina me encantou porque une um atendimento clínico extremamente variado aliado à cirurgia, tendo os homens como principais pacientes.
“Ajudar homens frente às suas dificuldades, muitas vezes íntimas e que não compartilham nem com a esposa, me fez perceber a necessidade de ser amigo e confidente dos meus pacientes, muito antes de ser médico.”
O rim possui um papel essencial na excreção de resíduos e toxinas do organismo, funcionando como um grande filtro do metabolismo.
Tudo aquilo que consumimos — alimentos e bebidas — gera resíduos que podem ser eliminados pela urina. Quando há alimentação inadequada, excesso alimentar ou alterações metabólicas importantes, o rim pode ficar sobrecarregado, favorecendo a formação de cálculos.
Nem todo cálculo renal é causado pela alimentação, mas esse é um aspecto que sempre precisa ser investigado e corrigido.
Com certeza. Na minha prática clínica, a obesidade é uma das causas metabólicas mais importantes relacionadas à formação de cálculos renais.
Ela geralmente vem acompanhada de outros problemas, como:
O que observamos frequentemente é que a obesidade provoca uma inflamação sistêmica e uma sobrecarga do organismo, acelerando a formação dos cálculos urinários.
Quando um paciente chega ao consultório com cálculo renal recorrente, a avaliação precisa ser completa.
Apesar do cálculo acometer o rim, os fatores causadores são sistêmicos, ou seja, envolvem o funcionamento do corpo como um todo.
Por isso, a investigação inclui exames que avaliam:
Muitos desses exames precisam ser quantificados através da coleta urinária de 24 horas.
Sim. Mais importante do que tratar apenas o cálculo é combater a própria síndrome metabólica, que frequentemente é a verdadeira causa da formação das pedras.
Os cuidados dietéticos fazem parte de qualquer protocolo de prevenção e tratamento, incluindo:
Além disso, combater a obesidade de forma mais agressiva pode fazer grande diferença, especialmente em pacientes com formação recorrente de cálculos.
Inclusive, medicamentos utilizados para emagrecimento podem se tornar aliados importantes nesse processo, auxiliando na perda de peso e reduzindo o risco de novos cálculos.
Se eu tivesse que escolher apenas um único hábito para modificar, seria aumentar corretamente a ingestão de água.
A formação do cálculo depende diretamente da capacidade de dissolução dos cristais presentes na urina. Quanto maior a quantidade de água, mais diluídos ficam esses cristais e menor a chance de eles se agruparem.
A recomendação média é de aproximadamente 30 ml de líquido por quilo de peso corporal.
Ou seja: uma pessoa com 70 kg deve ingerir cerca de 2.100 ml de líquidos por dia.