Cálculo Renal: o que a saúde metabólica tem a ver com isso?

Dr. Charles Villacorta alerta sobre a influência da obesidade, alimentação e hidratação na formação dos cálculos.

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Cálculo Renal e Síndrome Metabólica: quando o metabolismo impacta diretamente a saúde dos rins

O cálculo renal é uma condição frequentemente associada apenas à dor intensa, mas existe uma relação muito mais profunda entre a formação das pedras nos rins e a saúde metabólica. Quero compartilhar um pouco da minha experiência sobre essa conexão e explicar como hábitos e alterações metabólicas podem influenciar diretamente a saúde urinária.

 

“Ajudar homens frente às suas dificuldades me fez perceber a necessidade de ser amigo e confidente dos meus pacientes”

Decidi seguir a urologia ainda durante o curso de medicina na Universidade do Estado do Pará. Desde o momento em que passei pela disciplina de urologia, iniciei um estágio voluntário na especialidade e produzi artigos científicos relacionados ao tema por dois anos.

Após me formar, viajei para São Paulo para me especializar, onde realizei residência em Cirurgia Geral e Urologia. Posteriormente, concluí meu doutorado em Urologia pela Universidade Federal de São Paulo.

Essa área da medicina me encantou porque une um atendimento clínico extremamente variado aliado à cirurgia, tendo os homens como principais pacientes.

“Ajudar homens frente às suas dificuldades, muitas vezes íntimas e que não compartilham nem com a esposa, me fez perceber a necessidade de ser amigo e confidente dos meus pacientes, muito antes de ser médico.”

 

A relação entre cálculo renal e saúde metabólica

O rim possui um papel essencial na excreção de resíduos e toxinas do organismo, funcionando como um grande filtro do metabolismo.

Tudo aquilo que consumimos — alimentos e bebidas — gera resíduos que podem ser eliminados pela urina. Quando há alimentação inadequada, excesso alimentar ou alterações metabólicas importantes, o rim pode ficar sobrecarregado, favorecendo a formação de cálculos.

Nem todo cálculo renal é causado pela alimentação, mas esse é um aspecto que sempre precisa ser investigado e corrigido.

 

Existe um perfil mais propenso ao cálculo renal?

Com certeza. Na minha prática clínica, a obesidade é uma das causas metabólicas mais importantes relacionadas à formação de cálculos renais.

Ela geralmente vem acompanhada de outros problemas, como:

  • Diabetes
  • Hipertensão arterial
  • Elevação do ácido úrico
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e triglicerídeos)

O que observamos frequentemente é que a obesidade provoca uma inflamação sistêmica e uma sobrecarga do organismo, acelerando a formação dos cálculos urinários.

 

Como funciona a investigação dos casos recorrentes?

Quando um paciente chega ao consultório com cálculo renal recorrente, a avaliação precisa ser completa.

Apesar do cálculo acometer o rim, os fatores causadores são sistêmicos, ou seja, envolvem o funcionamento do corpo como um todo.

Por isso, a investigação inclui exames que avaliam:

  • Perfil lipídico
  • Glicose
  • Ácido úrico
  • Eletrólitos (sódio, potássio, cálcio, entre outros)
  • Perfil hormonal, como o paratormônio
  • Função renal
  • Substâncias eliminadas na urina, como oxalato, citrato e cálcio

Muitos desses exames precisam ser quantificados através da coleta urinária de 24 horas.

 

O tratamento muda quando há síndrome metabólica?

Sim. Mais importante do que tratar apenas o cálculo é combater a própria síndrome metabólica, que frequentemente é a verdadeira causa da formação das pedras.

Os cuidados dietéticos fazem parte de qualquer protocolo de prevenção e tratamento, incluindo:

  • Boa ingestão hídrica
  • Redução do excesso de proteína animal
  • Controle do consumo de sal

Além disso, combater a obesidade de forma mais agressiva pode fazer grande diferença, especialmente em pacientes com formação recorrente de cálculos.

Inclusive, medicamentos utilizados para emagrecimento podem se tornar aliados importantes nesse processo, auxiliando na perda de peso e reduzindo o risco de novos cálculos.

 

A principal mudança de hábito para prevenir cálculos renais

Se eu tivesse que escolher apenas um único hábito para modificar, seria aumentar corretamente a ingestão de água.

A formação do cálculo depende diretamente da capacidade de dissolução dos cristais presentes na urina. Quanto maior a quantidade de água, mais diluídos ficam esses cristais e menor a chance de eles se agruparem.

A recomendação média é de aproximadamente 30 ml de líquido por quilo de peso corporal.

Ou seja: uma pessoa com 70 kg deve ingerir cerca de 2.100 ml de líquidos por dia.


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