Ela descobriu o lúpus aos 17 anos: “Não conseguia andar”

Diagnosticada em 2001, professora relembra as dores que normalizava, a nefrite lúpica e a gravidez de alto risco até ter a doença sob controle

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Eu tinha apenas 17 anos quando comecei a sentir fortes dores nas articulações. Não pensava que a causa seria algo realmente importante, já que, na minha família, a dor era comum. Desde sempre, lembro-me de ouvir minha mãe e meu avô se queixarem de dores em todo o corpo. Eles diziam ser “reumatismo”. Mesmo na minha infância, eu já sentia algumas dores nas pernas, mas eram associadas à fase de crescimento. Por isso, eu normalizava os sintomas e, junto ao médico da família que nos acompanhava à época, tratava aqueles incômodos como tendinite, sem imaginar que estas já eram as primeiras manifestações do lúpus. Com o tempo, as dores pioraram, até que, um dia, eu simplesmente “travei”. Não conseguia andar nem me levantar. Nessa situação, realizei um exame de sangue que indicou uma queda importante no número de plaquetas. A alteração levantou a bandeira para a doença e fui diagnosticada, em seguida, em 2001. Continua após a publicidade Passei por atendimento com diferentes hematologistas e reumatologistas, dando início ao longo tratamento do lúpus. Mãe aos 16, professora e paciente Na época, já era professora de matemática, fazia faculdade de manhã e cuidava do meu filho pequeno. Fui mãe aos 16 anos. Então, a fadiga, as dores e o desgaste emocional foram muito desafiadores, ainda mais por ser tão nova. Lembro-me de olhar para outros pacientes enquanto aguardava as consultas e ver como estavam bem, mas não conseguia acreditar que uma vida normal como a deles seria possível para mim. Eu não via saída e pensava que morreria. Continua após a publicidade O começo foi realmente muito difícil, mas hoje, com mais maturidade, enxergo de modo diferente. Quando o lúpus atacou os rins sem dar sinais Três anos depois, em 2004, seguindo à risca o tratamento, fui ao Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo para realizar exames e descobri ter nefrite lúpica, que ocorre quando a doença ataca os rins. No meu caso, essa condição foi assintomática, mas as dores articulares ainda eram fortes; então, manter a rotina de exames foi muito importante para o diagnóstico do quadro associado. Continua após a publicidade Fiquei internada por 15 dias no HSPE até estabilizar a função dos rins, mas esse foi apenas o começo do tratamento renal. Desde então, faço acompanhamento reumatológico para controle da doença e confio muito na minha médica, Nafice. Como paciente com lúpus, a segurança de saber que tenho a quem recorrer sempre que precisar é uma das partes mais fundamentais desse processo. +Leia também: Gazyva: conheça medicamento aprovado pela Anvisa que reduz crises de lúpus Continua após a publicidade Uma gravidez de alto risco, mas cercada de cuidado Para minha surpresa, engravidei novamente aos 31 anos, em 2014. A notícia foi um misto de emoções. Na minha primeira gravidez, ainda não tinha sido diagnosticada, mas desta vez eu sabia que seria de alto risco devido à doença. Foi um susto e tive medo de passar pela gestação enquanto fazia acompanhamento do quadro reumático, mas, ao mesmo tempo, senti muito acolhimento e segurança por estar assistida pela equipe do HSPE. Continua após a publicidade Fui cuidada de perto, passando por consultas que chegaram a ser semanais, e isso foi fundamental para que tudo corresse bem. 25 anos de lúpus Ao longo desses 25 anos de diagnóstico, brinco que já fiz todo o tratamento disponível para a doença. Nesse processo, meu organismo rejeitou muitos medicamentos, o que exigiu resistência, resiliência e disciplina para controlar a enfermidade. Por isso, realizo todos os exames e consultas médicas com rigor, uso protetor solar diariamente e busco me poupar de programações que me deixam mais cansada ou estressada. O controle da minha rotina me ajuda a manter o meu bem-estar em dia e não voltar à estaca zero de muita dor e dificuldade. Como vivo além do diagnóstico Hoje, meu quadro está controlado, mas há momentos em que fico apreensiva, como antes de receber um exame. Fico pensando no quanto minha vida pode mudar com o resultado. Porém, essas preocupações passam rapidamente, enquanto sigo meus dias de uma maneira positiva e leve, buscando viver além do meu diagnóstico de lúpus. Roberta Ramos convive com o lúpus há 25 anos Publicidade

As notícias oriundas assim como as imagens tem como fonte de referência: https://saude.abril.com.br/ultimas-noticias

FONTE: https://saude.abril.com.br/coluna/em-primeira-pessoa/ela-descobriu-o-lupus-aos-17-anos-nao-conseguia-andar/
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