Minha trajetória na Medicina foi marcada pelo desejo de cuidar das pessoas de forma próxima e humanizada. Inicialmente, o que mais me atraiu na Ginecologia e Obstetrícia foi a Obstetrícia, principalmente pela possibilidade de acompanhar um momento tão único e transformador na vida de uma mulher e de sua família: a formação e o nascimento de um bebê.
Ao longo da minha formação, fui me encantando também pela Ginecologia e por tudo o que envolve o cuidado com a saúde da mulher em suas diferentes fases da vida.
Hoje, vejo que minha escolha vai muito além da parte técnica. É sobre ouvir, acolher, transmitir segurança e respeitar a individualidade de cada paciente.
Procuro unir conhecimento científico e cuidado humanizado para que cada mulher se sinta segura, respeitada e protagonista da própria saúde.
Eu sempre reforço a importância da consulta pré-concepcional, que deve ser realizada, idealmente, pelo menos três meses antes de tentar engravidar.
Neste momento, avaliamos o histórico de saúde, o ciclo menstrual, possíveis doenças, o uso de medicamentos e os hábitos de vida. Também realizamos exames a fim de detectar possíveis patologias que precisam ser tratadas previamente.
Muitas coisas do nosso dia a dia, que parecem inofensivas, podem influenciar a saúde reprodutiva e até o desenvolvimento do bebê durante a gestação.
Por isso, essa consulta é fundamental para ajustar hábitos, atualizar vacinas e orientar sobre a suplementação adequada.
Também é uma oportunidade para conversar sobre idade e planejamento reprodutivo. O objetivo é identificar possíveis fatores de risco e preparar a mulher para uma gestação mais saudável, porque o cuidado deve começar antes mesmo do resultado positivo.
A idade é um dos principais fatores que influenciam a fertilidade feminina, e isso tem se tornado cada vez mais impactante, considerando a permanência da mulher no mercado de trabalho ao longo dos anos.
Além disso, condições como endometriose, síndrome dos ovários policísticos e alterações hormonais podem dificultar a gravidez.
O que muitas pacientes subestimam são os hábitos de vida, como tabagismo, consumo de álcool e alterações importantes de peso, que também podem impactar a fertilidade.
Por isso, manter o acompanhamento ginecológico regular e buscar orientação precocemente são atitudes fundamentais para cuidar da saúde reprodutiva.
Em geral, recomendamos investigar a infertilidade após um ano de tentativas regulares, se a mulher tiver menos de 35 anos, ou após seis meses, a partir dos 35 anos.
Acima dos 40 anos, o ideal é buscar avaliação especializada o quanto antes.
Mas é importante lembrar que, diante de fatores como ciclos irregulares, endometriose ou histórico de problemas reprodutivos, não precisamos esperar esse tempo para iniciar a investigação.
A investigação começa com a avaliação do histórico da paciente, seu ciclo menstrual, hábitos de vida e possíveis condições ginecológicas prévias e atuais.
A partir disso, solicitamos exames individualizados, que podem incluir avaliações hormonais, ultrassonografia transvaginal e, quando indicada, a histerossalpingografia, exame utilizado para avaliar a permeabilidade das tubas uterinas.
O parceiro também deve fazer parte desse processo de investigação.
Essas condições podem impactar a fertilidade de formas diferentes.
A endometriose pode provocar inflamação e alterações na anatomia pélvica; a síndrome dos ovários policísticos pode comprometer a ovulação; e os miomas, dependendo da localização e do tamanho, podem dificultar a implantação do embrião.
O tratamento é individualizado, considerando a condição, a idade da paciente e seus planos reprodutivos.
Nem sempre é necessário operar. O mais importante é avaliar cada caso e definir a melhor estratégia para preservar ou favorecer a fertilidade.
A idade influencia diretamente a fertilidade porque, com o passar dos anos, há uma redução na quantidade e na qualidade dos óvulos, tornando a gravidez mais difícil e aumentando o risco de alterações cromossômicas.
Na prática, isso muda o momento de investigar: antes dos 35 anos, geralmente iniciamos após 12 meses de tentativas; dos 35 aos 40 anos, após seis meses; e, acima dos 40 anos, recomendamos avaliação o quanto antes.
Meu recado é: não espere o momento de tentar engravidar para começar a cuidar da sua saúde reprodutiva.
Mesmo que a maternidade esteja nos seus planos para o futuro, é importante conhecer seu corpo, manter o acompanhamento ginecológico e conhecer as opções atuais de planejamento reprodutivo, como o congelamento de óvulos.
A fertilidade envolve fatores que nem sempre conseguimos controlar, como a idade, mas existem cuidados e hábitos que podemos ajustar ao longo da vida.
Informação e planejamento fazem diferença.